A Europa não precisa de mais divisões. Na verdade, já está mais do que espartilhada, mesmo na Zona Euro, onde há países que estão a crescer, em valores diferenciados entre si, e outros tecnicamente em recessão ou a caminhar para cenários desta natureza.

Neste contexto, surgem as mais diversas reflexões, de originalidade e exequibilidade diferenciadas, todas elas a reconhecer a urgência da dinamização de todas as Economias da Zona Euro, em especial as que vivem situações de recessão ou pré-recessão, com forte desemprego e sem financiamentos.

Ouvi, há dias, uma dessas reflexões, politicamente insuspeita por ser veiculada por um economista que se situa na oposição ao arco que assinou o memorando de entendimento com a Troika, a recolocar a possibilidade dos países mais aflitos poderem mexer, instrumentalmente, na moeda sem saírem do Euro.

Tal poderia ser possível com a existência, nesses países, entre os quais implicitamente estará Portugal, de duas moedas, a nacional (susceptível,  por exemplo, de ser desvalorizada, para potenciar exportações e gerar emprego) e o Euro que deixaria de ser moeda única para passar a ser moeda comum.

Mesmo parecendo estranha, esta solução não seria inédita e poderia ser descrita como a consagração de uma Europa a várias velocidades, não numa lógica imposta pelos mais rápidos a crescer (e como tal mais poderosos), mas numa lógica subordinada aos interesses dos que mais precisam ver o PIB aumentar.

Neste olhar para a Europa em geral e para a Europa da Zona Euro em particular, expressões que apontam para a existência de várias velocidades de crescimento no todo Europeu perdem a carga negativa original e até podem traduzir realidades mais justas e equilibradas.

Na verdade, nesta Europa Unida, e nos países da moeda única, nunca como hoje se verificaram velocidades tão díspares para o crescimento dos países que a integram. Nem se compreende como é que tanta gente ainda julga que este espaço não está economicamente dividido.

Luís Lima

Presidente da APEMIP

luis.lima@apemip.pt

Publicado no dia 22 de Novembro de 2011 no Jornal de Notícias e Diário de Notícias

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