Adjectiva-se quem tem simpatia pelos Alemães ou pela Alemanha de germanófilo. Esta palavra é também um nome masculino que significa, de acordo com os dicionários mais utilizados, admirador da Alemanha ou dos Alemães ou simplesmente estudioso da cultura, literatura e costumes alemães.

Quem já conquistou o adjectivo de germanófila foi seguramente a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ao defender, em recente entrevista, que a Alemanha deve aumentar o seu nível de salários para que impulsione a recuperação económica na Europa. Por outras palavras, é bom que os alemães ganhem mais para poderem importar mais.

Apesar da suposta vocação alemã para uma conveniente austeridade, a verdade é que começam a surgir na Alemanha vozes – entre as quais a do actual presidente do Banco Central Europeu  – a defender o aumento generalizado dos salários no país para que os alemães possam  contribuir para  impulsionar a retoma europeia.

A chanceler Angela Merkel continua fixada na ideia de que a política de austeridade está a fazer com que  a Alemanha aumente a respectiva competitividade. Ainda há dias o disse em Santiago de Compostela, já depois da entrevista de Christine Lagarde ter sido tornada publica e à laia de resposta à francesa que sucedeu ao francês Dominic Strauss Kahn à frente do FMI.

Em oposição à peregrina chanceler alemã, erguem-se vozes de dia para dia mais significativas. De momento podem ser demitidos dos cargos políticos que ocupam, como aconteceu com o penúltimo ministro francês da Economia (Arnaud Montebourg) que se insurgiu contra a política de austeridade do governo a que pertencia até ousar fazer estas críticas.

“É preciso levantar a voz [porque] a Alemanha está presa a uma política de austeridade e impõe-na em toda a Europa”, disse o ministro que não foi reconduzido na novo governo nomeado pelo presidente Hollande. Há um muro, como aquele que existia em Berlim a separar as duas alemanhas, quando a actual chanceler era uma pioneira da República Democrática Alemã, um muro que é o centro  destas disputas.

A ironia é que aqueles que estão contra a política de Merkel são, na verdade, mais germanófilos do que os próprios alemães.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 01 de setembro de 2014 no Diário Económico

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