É hoje claro para todos, até para o Poder, que o imobiliário, outrora um parente pobre e tolerado deste sector, muito dependente da construção, está na primeira linha da frente da recuperação económica do país com êxitos da grandeza dos que são mais cantados, como é o caso do reconhecido sucesso no nosso sector do calçado.

Tudo isto sem por em causa, bem antes pelo contrário, o que hoje se reconhece como sendo  fundamental para o nosso futuro, isto é, sem por em causa, antes adotando, uma estratégia de sustentabilidade, traduzida em modelos que harmonizem aspectos económicos, ambientais e sociais que devem interagir entre si.

Como já várias vezes tenho dito, a sustentabilidade no sector imobiliário é condição indispensável à sobrevivência e recuperação do próprio sector e deve estar presente em todos os projetos de Reabilitação Urbana, um dos comboios em que podemos e devemos embarcar para a revitalização das cidades e também para a melhoria do desempenho energético-ambiental do meio edificado.

No horizonte está sempre – volto a repetir por considerar isto fundamental – um desenvolvimento que visa a satisfação das necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de gerações futuras de conseguirem suprir as suas próprias necessidades. Um desenvolvimento, como toda a gente hoje reconhece, que não é compatível com a contínua degradação do património imobiliário nacional.

O mercado imobiliário português pode e deve continuar a assumir-se como vector importante na recuperação da nossa Economia, aproveitando o espaço de crescimento que ainda possui, nomeadamente na Reabilitação Urbana que dialoga com o turismo e com o arrendamento urbano, e que se afirma consolidando economias verdes e combatendo com eficácia um sempre natural  envelhecimento do património construído.

Isto também atrai o capital privado que quer investir com responsabilidade e segurança e que aceita como boa a Reabilitação Urbana que respeita as dinâmicas locais onde pretende afirmar-se, contemplando património e paisagem, fomentando a eficiência do uso de energia, da água e dos materiais utilizados na própria reabilitação dos imóveis.

Se todos estes sinais forem dados para o mercado, se não se voltar a cair na tentação de agravar a fiscalidade, já muito exagerada, que recai sobre este sector eternamente visto como uma árvore de fazer dinheiro para os cofres do Estado, se mantivermos num patamar elevado os níveis de confiança que fomos oferecendo a quem investe em nós, então temos a certeza de que iremos marcar todos os penaltis que contam para desempate.

Não é fácil, reconheço, tudo está ainda muito preso por fios que também ainda são frágeis, mas o que é mais importante é resguardar o fio da confiança. Quando vamos a jogo e o alimentamos quase até ao limite passa a ser muito importante não falhar nenhum dos penaltis que podem fazer a diferença. Isto não é só válido para o futebol. Isto vale em todos os campos onde temos de jogar com muita inteligência.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 4 de Julho de 2016 no Jornal i

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