Há dias, perguntaram-me se os momentos muito difíceis que atingiram o sector imobiliário em Portugal e que chegaram a gerar períodos de estagnação já tinham sido plenamente superados e qual era o balanço que fazia da evolução do sector nos últimos dois anos. Estas perguntas foram-me colocadas quando estava no estrangeiro, em missão de promoção do nosso imobiliário, o que me permitiu uma maior reflexão sobre as próprias questões e um arrumar de ideias sobre esta matéria muito importante para a recuperação económica do país.

É verdade que o balanço da realidade vivida pelo sector em Portugal nos últimos dois anos é positivo especialmente se a compararmos com a realidade dos anos imediatamente anteriores e isto está justificado pelos números, sejam os das transações imobiliárias sejam os dos valores das transações imobiliárias, uns e outros a crescer, moderada mas evidentemente, como sublinhei na resposta que dei á queima-roupa.

Também disse que embora em vias de recuperação talvez seja exagerado dizer que os momentos difíceis foram plenamente ultrapassados. Plenamente aponta para uma situação quase eufórica que em boa verdade não existe, nem pode existir, se queremos que a recuperação seja sustentável, como deve ser, nomeadamente nesta “segunda vida” para as cidades e para o imobiliário que a Reabilitação Urbana proporciona.

Hoje, ninguém, neste sector, pode ignorar questões como as que se relacionam com a eficácia energética dos edifícios ou com a preocupação em evitar excessivas dependências das energias não renováveis. A procura é cada vez mais exigente, neste como noutros aspectos, e quase que me atreveria a dizer que algumas das ofertas de imóveis que ainda encontram dificuldades em seduzir a procura sofrem deste mal por força de localizações menos apetecíveis e por não corresponderem aos requisitos que hoje as casas exigem, incluindo as reabilitadas.

Mas para que todas estas questões sejam superadas e se conjuguem na frente da recuperação económica que o imobiliário pode assumir importa não descurar nenhuma delas, incluindo a da promoção da nossa oferta imobiliária no estrangeiro, uma oferta que é uma boa oportunidade de investimento para muito investidor mas que não se concretizará se a própria oferta for ignorada pela procura interessada, por desconhecimento dessa mesma oferta.

É por isso que o esforço desenvolvido no âmbito da internacionalização estratégica da nossa Economia também passa pela presença do sector imobiliário em fóruns como o “International Property Show” (no Dubai) ou a “International Property & Investment Expo/Spring” (em Pequim), dois eventos em que recentemente marcaram presença a Fundação AIP, a APEMIP e empresas portuguesas de renome dos sectores da mediação imobiliária e da promoção, bem como representantes do sistema financeiro.

Como presidente da Comissão Estratégica do Salão Imobiliário de Portugal (SIL2016) sei que esta aposta na diplomacia económica é indispensável para que este importante sector que é o imobiliário português possa voltar a assumir-se como um dos mais importantes pilares da nossa recuperação e sinto que as missões desenvolvidas no estrangeiro fazem parte do caminho que tem de ser caminhado.

 

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 23 de Abril de 2016 no Sol

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