Conjugando todos os vectores que se cruzam no mercado imobiliário português é possível projetar, num horizonte de dois, três anos, a absorção quase total do “stock” de habitação ainda existente em Portugal.

Reconhecendo que o nível de vendas de imóveis é baixo, importa sublinhar que a construção de novo é atualmente muito inferior à verificada, por exemplo, no ano 2000 – menos de dez mil contra mais de cem mil casas.
 
Esta minha opinião é baseada nos primeiros dados de um estudo que a Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) está a elaborar e que conta dar por terminado ainda este mês.
 
O paradigma da solução habitacional em Portugal está, nomeadamente em Lisboa e no Porto, a transferir-se do mercado de compra para o mercado de arrendamento, em parte pela clara dificuldade dos portugueses acederem ao crédito como acediam antes.
 
Sendo o arrendamento tendencialmente a solução mais procurada para a satisfação das necessidades habitacionais, o mercado de compra tenderá a crescer entre os investidores, grandes e pequenos, que apostam no arrendamento.
 
E este mercado deveria ser a principal opção de quem detém muitos ativos imobiliários, como acontece com algumas instituições financeiras, numa renúncia assumida à tentação da venda ao desbarato que a ninguém aproveita e que faz retardar o regresso à normalidade do mercado imobiliário.
 
Neste cenário, o aumento da oferta de imóveis para arrendamento teria a enorme vantagem de equilibrar os preços das rendas, ainda demasiadamente elevadas para o atual poder de compra das famílias portuguesas, equilíbrio essencial para o regresso à normalidade dos mercados.
 
Bastaria, para ajudar a regular o mercado, segundo projeções credíveis, que se disponibilizassem para arrendamento urbano nas maiores áreas metropolitanas um total entre 50 a 60 mil casas.
 
Nas tipologias mais baixas, a generalidade dos potenciais arrendatários não pode oferecer, credivelmente, mais de 350 euros e, mesmo assim, para uma percentagem significativa já é acima da taxa de esforço aceitável e razoável.
 
O “boom” da aquisição de habitação própria, um dos pilares da consolidação social da classe media e da consolidação do que alguns classificaram de capitalismo popular está a mudar.
 
Esta tendência começou nos Estados Unidos, há um século, e na Europa, com o apoio dos EUA, há 60 anos, mas em Portugal só viria a firmar-se, por pouco tempo, nos anos 90 do século passado, fazendo aumentar significativamente o número de famílias que se tornaram proprietárias da casa que habitam.
 
Agora, neste tempo de créditos mais apertados e de aperto na própria ideia de Estado Social, a aquisição de imóveis readquire a vocação de investimento seguro para quem quer acautelar a parte final da vida e aposta em rendimentos que se assumam como complemento das reformas diminuídas.
 
Com novos paradigmas, o negócio imobiliário é uma parte muito importante da economia mundial e vai continuar a sê-lo, sem dúvida alguma. Nomeadamente em Portugal onde, apesar do que se diz, não foram cometidos os excessos em matéria de financiamento imobiliário que se verificaram nos Estados Unidos.
 
Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 11 de Novembro de 2013 no Jornal i

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