Há sensivelmente um ano, no início de 2014, puxava, moderadamente, pelo optimismo nas perspectivas para o sector do imobiliário, registando uma conjuntura que se desenhava tendencialmente favorável, sublinhando os esforços concertados de muitas vontades, nomeadamente do sector financeiro a dar mostras de querer voltar a financiar a aquisição de habitação e fazendo figas para que a tradicional gula fiscal do Estado sobre o património construído pudesse ser inteligentemente travada. 

O imobiliário português nunca esteve realmente em causa, quer na qualidade da construção, quer na relação preço / qualidade quer nos segmentos que ainda registavam, como registam, espaço para crescer, seja no turismo residencial, e não exclusivamente no patamar dos resorts, seja na reabilitação dos centros urbanos, um mercado que já há um ano dava provas de ser um excelente veículo de captação de investimento estrangeiro.

Este, alavancado no sector por condições atrativas no plano fiscal, nomeadamente pela via das Autorizações de Residência para Investimento e pela via do Regime Fiscal para Residentes não Habituais, mostrou-se interessado no imobiliário português, considerado, com justiça, saudável e equilibrado, por ter conseguido evitar as bolhas que outros não evitaram e por ser claramente um instrumento da solução e não do problema da crise.

Os números de 2014 viriam a confirmar aquele optimismo inicial, com expectativas bem elevadas no primeiro semestre, de tal modo que os incidentes de percurso verificados no segundo semestre e que tiveram consequências diretas e indiretas no próprio sector, apesar de terem tido origem fora do sector, não impediram um bom comportamento do imobiliário. Não tão bom em 2014 como poderia ter sido, mas mesmo assim positivo.

Com esta resistência, e com a continuação da abertura do crédito para a habitação, por parte dos bancos, 2015 perpectiva-se como o ano em que a recuperação do sector imobiliário português se consolida, promovendo mais e mais eficazes encontros entre a oferta e a procura, no segmento de compra e venda, e promovendo até um paulatino aumento dos preços dos imóveis para os valores equilibrados de onde, artificialmente, tinha em parte saído.

O mercado imobiliário afirma-se neste início de 2015 como um refúgio seguro para investidores que abandonaram aplicações de risco e a natural recuperação que – tudo o indica – iremos assistir mostrar-se-á fundamental para que os grandes objectivos da nossa Economia e das nossas contas públicas se cumpram. Desde que, entenda-se, haja inteligência para não esticar a corda fiscal e até para promover ainda mais incentivos à captação de investimentos estrangeiros, nomeadamente em localizações até agora menos procuradas por esses investidores estrangeiros.

Com a perspectiva de que vai voltar a valer a pena comprar e vender imóveis em Portugal, o regresso da liquidez ao património construído é um objectivo que o país não pode deixar escapar.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 27 de Janeiro de 2015 no Público

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