Empresas de construção de renome têm vindo a ser notícia como potenciais beneficiárias de um fundo de investimento em constituição que visa recuperar construtoras em situação financeira difícil, numa operação que tentará salvar alguns dedos e alguns anéis e que implicará sacrifícios e mais desemprego.

Esta realidade deriva da paragem quase total das obras públicas em território nacional, a par de uma clara diminuição do mercado de habitação, tendência que não se justifica apenas pelas dificuldades crescentes no acesso ao crédito, embora estas dificuldades muito contribuam para tal.

Uma das partes mais interessadas nesta operação de emergência é a banca, credora de muitas das dívidas contraídas pelo sector, e nessa qualidade fiscalizadora  atenta  da constituição do fundo bem como da identificação das empresas potencialmente elegíveis para o integrar.

Os sintomas desta  situação são bem conhecidos: começam por manifestar-se pelas dificuldades de tesouraria a que se seguem, muitas vezes, situações de salários em atraso, despedimentos colectivos e até a falência total. Situação, sublinhe-se, que, infelizmente, não se resolve salvando apenas alguns nomes fortes de empresas deste sector.

Na verdade, sem margem para crescimento da Economia, sem dinamizar a procura interna e sem acudir, de forma global, a situações igualmente graves (embora menos visíveis pela dimensão das empresas atingidas, nomeadamente das PME’s), tudo o que se faça desgarradamente apenas adiará a solução necessária.

Luís Lima

Presidente da APEMIP

luis.lima@apemip.pt

 

Publicado no dia 07 de março de 2012 no Diário Económico

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