A legítima preocupação dos poderes dos “media” e do país para a situação que se vive em Viana do Castelo, relativamente ao futuro dos principais estaleiros navais da cidade, contrasta com o silêncio que envolve o sector da Construção e do Imobiliário onde em cada semana que passa há um “estaleiro de Viana” que cai no desemprego.

Neste nosso sector o diagnóstico e a prescrição estão feitos e são consensuais: é preciso dinamizar os projectos de reabilitação dos centros urbanos, com todas as vantagens a montante e a jusante, não apenas para preservar a riqueza do nosso património construído, mas também para recuperar emprego perdido.

A Reabilitação Urbana pode, em Portugal, recuperar de imediato dezenas de milhares de postos de trabalho perdidos, entre os quais muitos de trabalhadores com formação profissional mínima, o que assume particular importância num contexto de desemprego de longa duração nestes segmentos, onde há muita gente sem apetência e sem condições para obter mais formação.

É pois urgente – e mais fácil do que alguns nos fazem pensar – estancar essa tendência para que no sector da Construção e do Imobiliário apareça, em cada semana que passa, um “Estaleiro de Viana” oculto que lança no desemprego centenas e centenas de pessoas, numa morte lenta do sector que em nada beneficia o país.

Como defendeu numa iniciativa da Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), no final de 2010, o Eng. Fernando Santo, bastonário da Ordem dos Engenheiros de 2004 a 2010 e actual Secretário de Estado da Administração Patrimonial do Ministério da Justiça, tão cedo não teremos, no sector, outro comboio para o crescimento e desenvolvimento económicos que não seja o da Reabilitação Urbana.

É preciso apanhá-lo a tempo pois é sabido e consensual que o crescimento  da economia passa pela recuperação do sector da construção, através  da  requalificação das cidades e da reabilitação dos edifícios, acções que implicam a dinamização da economia, o crescimento do PIB e a diminuição do desemprego.

Luís Lima

Presidente da APEMIP

Luis.lima@apemip.pt

Publicado no dia 5 de Junho de 2011 no Diário de Notícias

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