Há uns anos, um diário português, na tradição jornalística de parafrasear títulos de filmes ou de narrativas literárias para títulos de reportagens, utilizou a expressão “Vindimas de Fogo” para sintetizar estes crimes crónicos dos incêndios florestais que ciclicamente, no Verão, empobrecem o país, ceifando uma imensa riqueza e vidas.

Este ano, como há dez anos, quando estas “vindimas” ceifaram a vida a vinte pessoas, numa tragédia tal que gerou a publicação de um Livro Branco dos incêndios florestais em Portugal e a elaboração, apenas no papel, de um Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, este ano o fogo voltou a matar gente em sacrifícios quase impunes de uma tremenda intensidade emotiva.

Num jornal desportivo do último fim-de-semana, outro título, este de uma foto-legenda, empurrava os nossos olhos para uma imagem fotográfica de um estádio de futebol onde decorria um jogo da Taça de Portugal ao mesmo tempo que lavrava, mesmo ao lado, um violento incêndio. O título sintetizava a situação com um “Tudo a arder e a bola a rolar”.

Tal como em relação ao património edificado, também ele vítima de profunda e continuada degradação, como aconteceu com os imóveis dos centros históricos das cidades, cujos proprietários, na sua maioria continuamente descapitalizados pelo congelamento das rendas, não tinham meios de acudir à própria propriedade, também no património natural da floresta é fácil, mesmo que seja injusto, responsabilizar o proprietário pela prevenção que o Estado não faz.

Que as “Vindimas de Fogo” deste ano nos ajudem a ter maior lucidez sobre esta matéria.

Luís Lima
Presidente da CIMLOP
Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa
presidente@cimlop.com

Publicado no dia 07 de Setembro de 2013 no Expresso

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